Saiu na Mídia

08/03/2010

Cadeia do fumo contra fim do Burley

Apesar de estarem em lados opostos nas negociações sobre o preço do fumo, produtores e indústrias se aliam para barrar a proposta de fim do cultivo do tipo Burley. Depois de proibir o plantio, o Canadá deve sugerir na próxima reunião sobre a Convenção Quadro para Controle do Tabaco, em novembro, no Uruguai, a adoção da medida por todos os países signatários. Para garantir o apoio do governo brasileiro, a cadeia produtiva dá início a uma peregrinação pelos ministérios, em Brasília. As entidades apresentaram a reivindicação à Casa Civil na semana passada. A posição do Canadá é que o cigarro american blend (mistura de Virgínia e Burley) incentiva o consumo dos jovens por ter sabores como menta e canela. O posicionamento canadense foi aceito pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O presidente da Afubra, Benício Werner, espera que o Brasil seja contrário à proposta, já que há muitos produtores que dependem deste tipo de tabaco. "Quem produz Burley não migra para o Virgínia por questões de solo, cultura e clima." O presidente do Sinditabaco, Iro Schünke, alerta que, se o Brasil seguir o mesmo caminho, 50 mil fumicultores que produzem somente Burley serão prejudicados. "Isso também reduziria o volume de produção das empresas." O Brasil exporta 88% da produção deste tipo de tabaco. Além do Canadá, somente Irlanda e Inglaterra não produzem cigarros com Burley.

Em 2005, o Brasil ratificou a participação na convenção com a condição que houvesse compensação para a redução na produção de tabaco. No ano passado, o Brasil produziu 670 mil toneladas do tipo Virgínia e 112 mil do Burley. As regiões Noroeste e Norte do Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina são as maiores produtoras no país.

Fonte: Correio do Povo (www.correiodopovo.com.br)